terça-feira, 5 de julho de 2016

RELATÓRIO

No primeiro projecto em que participei, o “Estadistas” ocupei o cargo de Direcção de Arte. Comecei por recolher referências, baseadas em referências e conversas com o Realizador e o Director de Fotografia. Escolhidas e apresentadas as minhas referências, tanto a de ambientes como de decoração, juntámos os chefes de departamento e os operados de câmara e vimos todos juntos o filme “O Fabuloso Destino de Amélie”. Este filme serviu como inspiração para todos, em termos de cores, luz, decoração, movimentos de câmara, enquadramentos, etc.
O passo seguinte foi fazer uma lista detalhada de todos os adereços com fotografias de exemplo para cada um dos adereços. De seguida, partilhei a lista com a equipa para ver se alguém tinha alguma coisa e comecei a pesquisa de sítios onde poderia arranjar determinados adereços. Contactei a produção, pedindo ajuda com apoios, a fim de saber se tínhamos algum apoio a nível de Adereços ou Guarda-Roupa. Após vários e-mails para a Produtora sem resposta, decidi entrar directamente em contacto com uma assistente de produção que me ajudei no contacto com o professor Filipe Vale para fazer o contacto com a Plural. O contacto com a Plural demorou e o tempo começou a apertar e decidi começar à procura dos adereços onde conseguisse e consegui arranjar tudo o que tinha na minha lista e tudo o que era importante para o filme.
Em relação ao Guarda-Roupa, criei também uma lista de referências que apresentei à minha Chefe de Guarda-Roupa para ela saber o mood e o estilo que eu queria transmitir. Reunimos-nos várias vezes para decidirmos como é que iríamos misturar os anos 70 com a actualidade nos figurinos das personagens. Posto isto, a minha chefe de guarda-roupa apresentou-me uma lista de referências mais específica para cada personagem. Essas listas foram enviadas individualmente para cada actor, juntamente com outra lista ainda mais específica que dizia tudo o que eles precisavam de trazer. Sem apoios e apenas com a esperança de que os actores tivessem algumas coisas, decidimos ir à luta e tentar o máximo de roupa que conseguíssemos. Juntámos as roupas de nós as duas, pedimos a alguns elementos da equipa para levar algumas coisas e andámos em casas de amigos e amigas e pedir coisas emprestadas que para nós se adequassem ao filme. Telefonei ainda para o Teatro do Bairro e consegui que eles nos dessem apoio nesse sentido. Desta forma, fomos também ao Teatro do Bairro e aí conseguimos as peças mais específicas de época que precisámos. O nosso guarda-roupa ficou bastante rico e completo e funcionou na perfeição para todas as personagens. Acho que o resultado final é bastante interessante.
Sem apoios em Guarda-Roupa tivemos de arranjar uma solução para conseguirmos vestir os alunos da escola todos de igual porque de outra maneira não faria sentido. Eu e a chefe de guarda-roupa conseguimos encontrar uns pólos na H&M com uma cor que nos agradava às duas e que passava a mensagem que o Realizador queria e comprámos, juntamente com a ajuda do Rodrigo e da Karina, 16 pólos iguais que foram todos devolvidos no fim do dia das filmagens da escola e desta maneira, conseguimos recuperar o dinheiro todo que gastámos com os pólos.
Foi umas semanas antes das filmagens que entrei também para a Produção, visto que o trabalho deste departamento estava a ser inexistente. Quando o Realizar e o Director de Fotografia estavam na China e eu não tinha respostas da Produção, decidi juntar-me com o Rodrigo Albuquerque (inicialmente só operador de câmara) e com a Karina Queiroz (inicialmente só anotadora) e começámos a tratar de tudo o que era Produção. Fomos à procura de décores, andámos a ver mercearias e a fazer o contacto com elas, assim como de outros décores. Começámos a contactar os actores, a maioria deles fui eu que contactei para confirmar datas e horas e perceber questões de transporte e etc., assim como questões de Guarda-Roupa e de medidas. Criei uma boa relação com a maioria dos actores e acabei por ser, muitas das vezes, o contacto para quem eles ligavam quando tinham alguma dúvida.
Começámos a montagem de décor no dia anterior a começarmos a filmar na casa onde seria o décor do quarto do casal, da sala do casal e da sala de encontros estadistas. O Rodrigo teve que arranjar uma carrinha para eu transportar os meus adereços e mobílias e andou a fazer recolha das coisas e a entregar-nos enquanto montávamos o décor da casa. Se não tivesse sido ele e se eu tivesse confiado na Produção nunca tinha conseguido transportar as coisas para o décor e iria ter um quarto sem cama e por aí fora.
As montagens do décor correram bem e fiquei muito satisfeita com o resultado final de todos os meus décores. Sei que poderia ter feito muito melhor mas a verdade é que consegui um óptimo trabalho tendo em conta todos os problemas que aconteceram.
Durante as filmagens correu tudo bem em relação ao meu departamento pois sempre tive as coisas prontas antecipadamente e nunca ninguém precisou de esperar pelo meu departamento. O que foi mais complicado foi ter actores constantemente a ligar para saber horários para o dia seguinte pois se não fosse eu e a Karina ninguém sabia de nada.
Nas desmontagens foi um pouco mais stressante porque tínhamos menos tempo mas mesmo assim correu tudo e pusemos no sítio tudo em que tínhamos mexido. No final das filmagens o Rodrigo teve outra vez de arranjar uma carrinha pois a Micaela esqueceu-se que no dia a seguir à filmagens é preciso fazer entregas e devoluções de adereços. O Rodrigo conseguiu uma carrinha e acabámos por fazer as entregas todas de adereços na noite do último dia com a ajuda do Director de Fotografia e do Assistente de Iluminação André Caetano.
No geral, fiquei mesmo muito satisfeita com o resultado do meu trabalho e com a maneira como a decoração, o guarda-roupa e a luz combinam tão bem e ficam tão bonitos no filme. Eu e o Pedro, Director de Fotografia, sempre trabalhámos lado a lado durante todo o filme e o resultado foi incrível.



No segundo projecto em que estive, o “Projecto Aurora” fui assistente de arte. A minha contribuição foi mais nas filmagens e menos na montagem de décor pois estava a trabalhar ao mesmo tempo mas consegui estar presente em alguns dias de filmagens em que ajudei no que foi preciso e acima de tudo ajudei a arranjar soluções para muitos dos problemas que eles tinham.

sexta-feira, 1 de julho de 2016

ENSAIO SOBRE O TRANSMEDIA

O transmedia é um conteúdo que está dividido por várias plataformas. Um livro pode ser desenvolvido num filme que se pode transformar num jogo e ainda ter um site interactivo relaccionado com as várias plataformas. Cada vez mais as pessoas procuram conteúdos transmedia e procuram mais e mais coisas à medida que a tecnologia vai evoluindo. O utilizador já não fica satisfeito apenas com o livro ou com o filme, quer também o jogo, a aplicação, o site, o facebook, etc. Hoje em dia o utilizador interage muito nos conteúdos e já não quer ser um mero observador, quer ter opinião e quer poder ser marcante num história ou num conteúdo.                   
O transmedia é importante para o audiovisual e multimédia porque ajuda a chegar ao público-alvo e acima de tudo ajuda a passar a mensagem melhor. Enquanto o público está à espera do novo episódio ou do novo livro, através do transmedia conseguimos captar a atenção lançando episódios complementares à história ou pequenos vídeos ou imagens que dêem pistas daquilo que se vai passar deixando o espectador ainda mais agarrado à história.
À medida que a tecnologia vai evoluindo o consumidor vai sendo cada vez mais exigente. Cada vez mais é possível fazer coisas que antes eram inimagináveis e o transmedia tem de conseguir chegar a esse tipo de evoluções. Já é possível, por exemplo, ver televisão no telemóvel e no tablet ao mesmo tempo. Com os smartphones é preciso adaptar os conteúdos aos telemóveis e é preciso ter componentes específicas para os telemóveis.
Em relação à poesia, o transmedia pode tornar uma obra poética em algo completamente diferente, de várias maneiras possíveis. No caso do exercício que nos foi dado, tínhamos que nos inspirar em um de dois poemas que nos eram apresentados e escrever o guião para uma web série através da inspiração nesse poema. O resultado foi extremamente interessante porque mesmo os alunos que escolheram o mesmo poema fizeram histórias completamente diferentes e igualmente interessantes. Destas sérias saíram ainda mais componentes como sites, páginas de facebook, livros, jogos, aplicações, etc. E é interessante perceber como é que através de um simples poema foi possível criar tantas coisas.
As várias componentes do transmedia têm de estar sempre relaccionadas pois se não estiverem então deixam de ser consideradas transmedia. Cada componente nunca tem a informação completa, tem sempre informação parcial e as outras componentes têm outras informações que ajudam a complementar e que se complementam entre si para ajudar o espectador a compreender melhor a história ou o assunto. Por exemplo, no projecto em que participei como Directora de Arte, temos um episódio piloto que conta a história de um Portugal em 2016 onde o 25 de Abril nunca aconteceu. A história começa com um casal apaixonado e começamos a perceber que a personagem feminina escreve coisas que não são permitidas. Ela vai a uma mercearia onde percebemos que a dona sabe das escritas da nossa personagem principal e quando ela está na Mercearia entra uma rapariga a chorar para se esconder do marido que lhe bateu. O marido da nossa personagem principal descobre o que ela escreve e ela tem de fugir e é apanhada por um grupo de mulheres libertárias que são contra o regime. Nesse grupo estão as mulheres que já tínhamos visto na mercearia e está amarrado a uma cadeira e amordaçado o marido da mulher que tinha entrado na mercearia a correr. O episódio piloto tal como todos os episódios e filmes, não conta a história ao detalhe e deixa sempre perguntas por responder. E é aí que o nosso episódio mobile vem complementar a nossa história e ajudar o espectador a perceber melhor o que se passa no mundo das nossas personagens. O episódio mobile é passado na mercearia e conta a história da maneira como o marido que bate na mulher foi raptado pelo grupo de mulheres libertárias. Assim, o espectador fica ainda mais interessado na história e fica satisfeito por ver uma das suas perguntas respondidas. Temos também outras componentes como um concurso de poesia que se relaciona com aquilo que a nossa personagem principal escreve. E temos também uma página de facebook que vai lançando estes concursos e que vai divulgando todas as nossas componentes do transmedia, assim como dando informações interessantes sobre os nossos actores, as nossas personagens, etc.


Concluindo, o transmedia é importante para o mundo do audiovisual e multimédia porque vem completar o que muitas vezes não está completo e vem responder a muitas das dúvidas e perguntas do espectador. O transmedia traz interacção com o espectador e do espectador com o produto e traz novidades constantes. A novidade é o mais importante para conseguirmos conquistar o nosso público. Desta maneira, a interacção das várias plataformas e a maneira como se completam entre si tornam um produto único, num produto muito maior e mais interessante. Deixamos de ter apenas o filme ou apenas o livro e passamos a ter um conjunto de coisas interligadas que nos vão respondendo a perguntas e fazendo perceber coisas que no livro ou no filme ficaram escondidas.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

OBJECTIVOS PESSOAIS

O cargo que eu escolhi foi Direcção de Arte.
Desde que entrei no curso, em 2011, que a área da Arte foi sempre a que mais me cativou. Já fiz vários trabalhos dentro desta área, tanto a nível curricular como a nível profissional. O meu objectivo é continuar a crescer como Directora de Arte e como criativa pois sei que ainda tenho muito a aprender. Terei sempre muito a aprender.
Escolhi esta área neste projecto porque é uma oportunidade que tenho de praticar aquilo que sei e que fui aprendendo ao longo deste curso e também na minha vida profissional, e é também uma maneira de ganhar mais experiência e maturidade para aquilo que espero, um dia, ser a minha vida.
O facto deste episódio piloto ter de ser maioritariamente filmado em estúdio foi também outra das razões que me levou a escolher este cargo, pois fazer decors em estúdio é sempre desafiante e é uma óptima maneira de aprender mais sobre construção, sobre côr, sobre disposição, etc.
Penso que este cargo neste projecto me vai ajudar muito a aprender e crescer a nível pessoal e profissional.